Dizem que mãe tem sexto sentido, se é isso não sei mas naquele dia eu sabia que tinha algo errado!
Os movimentos dele já não eram como de costume, naquela manhã lembro-me como se fosse hoje que acordei com uma sensação de que estava molhada, mas isso para mim não era novidade já que isso já vinha acontecendo a algum tempo.
Uma semana antes eu havia ficado internada, lembro-me de ter sido internada no domingo de páscoa na época, seguindo de uma acalorada discussão do meu marido com a minha médica que tudo que eu dizia sentir ou passar ela respondia que era psicológico pois era muito nova e mãe de primeira viagem (depois do parto a primeira coisa que fiz foi mudar de médica).
Naquele dia com muitas contrações fui ao hospital e ela me internou como costumava fazer sempre, era uma semana em casa e outra no hospital e assim se seguiu por várias vezes desde a 30º semana.
Na época fazia uso de um medicamento caríssimo para inibir as contrações, e também tentava fazer o máximo de repouso, mas naquele dia meu marido acabou discutindo com ela, já que essa situação já durava algum tempo e nada de fazer qualquer exame de ultrasson para verificar a situação do bebê em minha barriga.
Então depois da discussão meu marido exigiu à ela que solicitasse um ultrasson para verificar o bebê e ela logo concordou em me deixar internada até terça e me ver no seu consultório na quarta e fazer o tal ultrasson. Naquela época eu não fazia ideia do que poderia estar acontecendo pois não sabia nada sobre gravidez e muito menos sobre exames que se deve fazer grávida, sabia apenas que sempre estava saindo um tipo de líquido de mim e sentia um dor horrível vinda das costa e que endurecia a barriga e minha mãe dizia se tratar de contrações.
E foi na manhã de quarta feira que a luzinha vermelha de preocupação ascendeu. Acordei me sentindo estranha de um jeito que não sabia descrever, o bebê já não mexia como antes e minha cabeça as vezes ficava meio zonza. Logo após o almoço minha mãe chegou em minha casa para me acompanhar na consulta ao médico, já que meu marido já não me deixava sair sozinha com medo de passar mal, e lá fomos nos duas de ônibus para Campinas.
Chegando na consulta a médica mediu a pressão e logo de cara viu que algo estava errado, a minha pressão estava alta, depois foi fazer o ultrasson, no decorrer do exame observei sua feição do rosto mudar, ela mal falava comigo e com minha mãe e lógico que minha mãe mais experiente logo percebeu que algo estava errado.
A médica saiu da sala e voltou me falando para ir até a Maternidade de Campinas, que era lá perto, e que lá iria fazer um exame mais detalhado com um médico que já estava me esperando e sabendo do meu caso, ela apenas me disse que havia algo alterado e mais nada.
Fomos andando até lá o que deu +/- uns 15 minutos, chegando lá assustei pois o médico logo me chamou pois estava me esperando e a cara dele não era das melhores. Na sala de exame ele sério não falava nada, minha mãe ao meu lado apreensiva assistia, de repente rompe-se o silêncio e ele de um jeito ríspido me fala:
-Você não está vendo que está perdendo líquido menina!
Eu logo respondo:
-Sim doutor, já falei pra minha médica e ela sempre diz que é coisa da minha cabeça pois sou mãe de primeira viagem.
O médico diz:
-Espere um pouco, vou ligar pra sua médica e dizer pra ela o que é psicológico!
Ele ligou na minha frente e foi muito grosso com ela, simplesmente disse ao telefone para ela e na minha frente que meu bebê estava sem líquido e se ele não nascesse lógo iria morrer em minha barriga, simples assim!
A minha pressão que já estava alterada logo subiu mais.
Resumindo, minha pressão chegou a 18, minha médica não quis fazer meu parto naquele mesmo dia e marcou para o dia seguinte mesmo eu estando com muita dor.
No fim a dor começou a piorar muito por volta das 21:00 e quando foi 00:30 ficou tão forte que já não aguentava ai o médico de plantão me examinou e ligou pra minha médica enquanto já me encaminhava para o centro cirúrgico.
Meu filho nasceu às 01:15 do dia 20/04/2001 e minha médica teve que acordar de madrugada para ir até lá fazer meu parto, o que eu achei é bom para ela depois de tudo que passei, e graças à Deus ele nasceu super bem e saudável as 37 semanas e 5 dias.
O momento que nunca vou esquecer foi quando ouvi seu primeiro choro, foi algo maravilhoso, foi emocionante.
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